Saúde mental, prescrição social e a importância da comunidade.

A prescrição social é representativa de uma visão holística da saúde, respeitando as várias componentes que interagem na qualidade de vida e bem-estar. Ainda que tenha surgido para melhorar a intervenção prestada por profissionais de várias áreas, também podes fazer uso dela. Continua a ler para descobrires como podes colocar em prática na tua vida!

O que é isto de “prescrição social”? Tem benefícios?

Nascendo de uma visão não-biomédica (ou seja, olhando para o indivíduo como um todo), a prescrição social connecta a pessoa com recursos existentes na comunidade que sejam aliados na resposta a necessidades sociais, emocionais ou práticas.

Os estudos científicos realizados até ao momento ainda são escassos. Embora o papel das comunidades, da arte e da cultura sejam amplamente reconhecidos, o estudo formal dos seus benefícios ainda é recente.

Ainda assim, os resultados obtidos até gora demonstram que, dependendo da atividade, a prescrição social:

  • Pode reduzir o uso de medicação, a sobreutilização de serviços de saúde e o número de situações de emergência;
  • Pode contribuir para o bem-estar físico e psicológico e melhoria da qualidade de vida;
  • Pode reduzir a percepção de solidão, isolamento social, ansiedade e depressão;
  • Incentiva à criação de hábitos saudáveis, a uma maior atividade física;
  • Leva à melhoria de processamento emocional, cognitivo e sensorial;
  • Pode ter influência a nível socioeconómico e educacional, permitir o desenvolvimento de competências, facilitar a conexão social – aspectos que estão comprovados como tendo influência ao nível da saúde.

 

Além disso, uma das vantagens deste tipo de intervenção é que pode ser utilizada em simultâneo com outras – por exemplo, psicoterapêutica, médica, farmacológica, assistência social. A combinação apropriada de diferentes respostas que se orientam para o mesmo objetivo aumenta a eficácia da intervenção.

O que conta como prescrição social?

Existem muitas atividades que podem ser incluídas na categoria de prescrição social, devendo ser adequadas a cada pessoa ou comunidade e às necessidades identificadas. Estes são apenas alguns exemplos.

  • Atividade física – seja na forma de aulas ou algo menos estruturado, como uma caminhada em grupo;
  • Atividades criativas – como aprendizagem de desenho, pintura, música;
  • Treino profissional e atividades educacionais;
  • Iniciativas de apoio legal e/ou financeiro;
  • Atividades na natureza – como jardinagem, agricultura, caminhadas;
  •  Colaboração em atividades de voluntariado (mais sobre os seus benefícios aqui);
  • Atividades culturais – como museus, palestras, cinema;
  • Projetos que levam o cuidado a casa, no caso de pessoas sem mobilidade e/ou independência.

 

Estar ciente dos benefícios e tipos de atividades dá-te o poder de os incluir na tua vida, mesmo sem que um profissional as prescreva. Podes procurar recursos públicos (associações, organizações, projetos municipais, etc.) ou iniciativas criadas a título individual – por vezes por pessoas que também sentiram falta delas.

A prescrição social também pode estar presente em terapia.

As pessoas que acompanho sabem que carrego sempre comigo informação sobre diferentes projetos. E se não carrego algo que se adeque à realidade daquela pessoa, procuramos em conjunto. Por isso, se procuras uma psicóloga que olhe para a pessoa no seu todo, incluindo a forma como interage no mundo e vive no mundo, quem sabe chegaste ao sítio certo.

Podes consultar aqui informação adicional sobre consultas comigo.

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