Cinco coisas pelas quais não precisas de pedir desculpa em terapia
A relação terapêutica é diferente de outras relações. Existe num espaço no qual apenas te é pedido que sejas e estejas de forma autêntica, presente, honesta. E, ainda assim, é natural que nela se reflitam dinâmicas e/ou regras sociais. Sabendo isso, vamos conhecer algumas coisas pelas quais não precisas de pedir desculpa em terapia?
1. Falar da mesma coisa.
Se já te aconteceu pensar “Estou sempre a falar do mesmo. Já devem estar fartos de mim.” então é possível que também o penses durante uma consulta. Caso esse pensamento apareça, não tenhas receio de o partilhar. Será uma oportunidade para te assegurar que não estás ali para entreter, ou sequer para trazer novidades. Quando um assunto ocupa lugar central na tua vida, irá ser pensado, analisado, visitado, as vezes que forem necessárias.
2. Pelas tuas lágrimas.
As lágrimas são uma forma de expressar emoções – tão natural como cerrarmos os punhos ao sentir raiva ou sorrir ao sentir felicidade. Em terapia tens espaço para chorar, sem precisares de pedir desculpa, de te justificares, de tentares abafar essa necessidade. Daí que ter sempre lenços e água por perto possa ser importante. Podes ler mais sobre essenciais aqui. As tuas lágrimas nunca serão julgadas nem vistas como fraqueza. São uma parte importante de ti e da tua história.
3. Dizer palavrões.
Existem contextos nos quais certas palavras e expressões podem não ser indicadas, mas não é o caso em terapia. A relação terapêutica não é um espaço onde precises de te censurar; estás ali apenas para seres tu. Aliás, sabias que existem estudos que sugerem que a utilização dos chamados “palavrões” pode reduzir a percepção de dor e aumentar a tolerância ao desconforto?
4. Não saber o que dizer.
Há muitos motivos pelos quais podemos não saber o que dizer: demasiada coisa a falar, não conseguir encontrar as palavras, ser difícil decidir o ponto de partida, ter medo do julgamento, tudo parecer demasiado trivial, ou tudo parecer demasiado grande. Isto acontece muitas vezes numa primeira consulta – e também pode acontecer ao longo do processo. Se te vires nessa situação, podes dizer exatamente isso: “não sei o que dizer”. A tua psicóloga vai ajudar-te.
5. Partilhar algo da sessão que não te fez sentir bem.
A relação terapêutica tem caraterísticas diferentes das outras mas não deixa de ser real. A tua psicóloga pode dizer algo que não faz sentido para ti, pode fazer uma sugestão que não se adequa à tua realidade ou pode tocar em assuntos que ainda não queres falar. Esta é uma oportunidade única: podes dizer o que não está bem (é extremamente encorajado que o faças) e treinar este tipo de partilha num contexto seguro. O que quer que partilhes, é importante para o processo.
Então, e quando peço desculpa?
Pedir desculpa é uma forma de assumir responsabilidade.No contexto terapêutico isto pode aplicar-se, por exemplo, a uma desmarcação que não cumpre as regras estabelecidas ou um atraso que terá impacto na duração da consulta. Mas pedir desculpa pelas tuas experiências, progresso, necessidades? Se alguém já te fez sentir isso, lamento imenso. É duro quando profissionais em que confiamos não amparam a nossa humanidade, mesmo depois de termos expressado o nosso desconforto.
Caso queiras a dar outra oportunidade à terapia, num espaço seguro e à espera de te acolher, marca consulta aqui.
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