Quanto tempo até não precisar de terapia?

Uma das dúvidas mais comuns de alguém que está a iniciar um processo terapêutico é a duração. “Quanto tempo vai demorar”, “quantas sessões são precisas”, “quando me vou sentir melhor” e outras tantas variações com ênfase temporal, são comuns na primeira sessão.

Se tens dúvidas do género, neste artigo vou procurar devolver-te algumas questões para que possas pensar sobre o assunto.

O que te leva a procurar terapia?

Os objetivos terapêuticos vão influenciar a duração do processo.

Imagina estes dois cenários: por um lado, alguém que tem um objetivo muito específico como querer aprender a conduzir; por outro alguém que quer compreender porque se vê sempre no mesmo tipo de relação amorosa. Faz sentido que a a intervenção feita em cada um dos casos seja diferente, certo?

É importante salientar que aquilo que nos parece um objetivo específico pode estar rodeado de muitas camadas que precisam de ser trabalhas. Como diz o ditado, “nem tudo o que parece é”.

Como estás a definir sucesso?

O processo terapêutico está longe de ser apenas sobre sintomas. Muitas vezes é a sua presença que faz com que as pessoas procurem ajuda, mas frequentemente esses sintomas são manifestação de todo um mundo que precisa de ser acolhido.

É importante, por isso, que cada pessoa defina o que é para si indicador de sucesso (e dê a conhecer esses indicadores ao psicólogo) – sem esquecer que essa definição pode ser revisitada todas as vezes que façam sentido. É natural que aquilo que antes tínhamos como certo possa deixar de o ser.

O que fazes com o que aprendeste?

A grande maioria da mudança não acontece nos 50 minutos de cada sessão. Esse tempo é impulsionador e testemunha da mudança que acontece no dia a dia: os objetivos que traças para ti, a intencionalidade que apresentas nas tuas escolhas, aquilo que levas da sessão para refletir e aplicar.

Existem muitos motivos para que a mudança que desejas não esteja a ocorrer fora das sessões. Questiona-te: algum desses motivos se prende com uma esperança de que a vida se companha sem a tua intervenção?

Como é a relação terapêutica?

Uma relação terapêutica não aparece criada; necessita de ser construída. Existem até estudos que apontam para uma média de 10 sessões para que se estabeleça uma relação de qualidade.

Se as nossas experiências prévias influenciam as relações que estabelecemos, é esperado o mesmo progresso para pessoas que demoram tempos diferentes a sentir-se confortável? Tolerar o desconforto e manter o compromisso da intervenção terapêutica são progressos que dificilmente valorizamos. Se o estás a fazer, estás a progredir.

Terminaste o processo ou já não faz sentido com aquela pessoa?

Ah, aqui está uma pergunta tantas vezes desconfortável mas fundamental. É verdade: por vezes deixa de fazer sentido continuar em terapia com uma determinada pessoa.

Isto pode acontece por muitos motivos: não consegues ver progresso, não sentes que tens uma relação terapêutica de qualidade, procuras uma abordagem terapêutica diferente, preferes outra modalidade de consulta.

Se pensares na tua situação, e concluíres que é este o caso, não desistas. Começar de novo pode ser difícil mas a tua saúde merece que continuas a procurar a pessoa certa.

Leva as tuas questões sobre o final da terapia para a terapia.

O finalizar de um processo terapêutico não deve acontecer subitamente. Tal como fizeste com o começar, terminar é algo que deve ser feito com ponderação e preparação. Leva as tuas dúvidas sobre o quando e como para a terapia, para que possam ser pensadas e aprofundadas em conjunto. E fica com esta certeza: é sempre possível voltar. Estes finais podem ser um “até já”.

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